terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Vida na Arte Refletida - O Menestrel

          Hoje, depois de um longo tempo sem postar algo trago para vocês a linda interpretação de um texto de autoria controversa porém, independentemente disso, encantador, este intitulado "O Menestrel", supostamente escrito pelo grande Shakespeare, mas não entrarei no mérito desta discussão visto que imbuído ao vídeo está a belíssima performance de Moacir Reis que somou ao texto vida, fazendo-o superior a qualquer vã discussão como esta. No mais, só desejo que gostem.

sábado, 27 de novembro de 2010

Ensaio sobre o Amor - Réplica

          Agora, como prometido...


“Amor é estado de graça e com amor não se paga.”
Carlos Drummond de Andrade


     Primeiramente, obrigada Pedro pelo convite de escrever sobre tão polêmico tema, confesso que muito tenho refletido sobre isso e que como toda opinião está passível de mudança e já que isto é um debate, colocarei meus pontos de vista e tentarei explicá-los da melhor forma possível. Contudo, é válido avisar ao leitor que muitas vezes, poderei ser obscura e até parecer contraditória, mas pronta estarei para responder ou dialogar, pois como já disse trata-se de um debate e nada aqui esta cristalizado, apesar de eu, particularmente acreditar no que escreverei aqui.
     Sem mais delongas vamos ao "AMOR", dentre os vários tipos de “amores”, o que será aqui debatido, em particular, é aquele que chamo “amor carnal”, ou “sexual”, como utilizado pelo Pedro, ou seja, o “amor” compartilhado por duas pessoas. Não creio que exista este tipo de “amor”. Não naquilo que eu creia que o seja, tal qual eu coloquei na epígrafe desse texto o “amor” é estado de graça e gratuito, ora, como posso crer nesse tipo de “amor” se o que eu vejo por toda parte é uma guerra de ciúmes por todas as partes, o egoísmo reinando nos relacionamentos, onde o companheiro(a) passa a ser objeto (ou algo que se assemelhe à isto) do ser “amado”, onde apenas se ouve: você é MEU namorado(a), onde as pessoas passam a controlar, literalmente, a vida do outro, isso tudo sob a desculpa (furada) de que “quem ama, cuida”! Ora, deixemos de besteiras e possessões absurdas. Primeiro: ninguém pertence a ninguém, e como já diria Raulzito: “Amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade...” Então, como posso crer nesse tipo de “amor”? Onde os relacionamentos que se baseiam nele, são relacionamentos castradores, individualistas, egoístas. Em que para “comprovar o meu amor”, eu reduzo o outro ou a outra em objeto do meu prazer, pessoal e intransferível, onde privo o  meu/minha amado(a) de coisas que antes eram-lhes comuns.
     Vocês já perceberam como as pessoas mudam depois que iniciam um relacionamento? Tá bem, eu entendo no começo tudo são flores, estão no “fogo da paixão”, mas e aí? Com o tempo, o que era pra ser construído em um lindo “amor”, muitas vezes, acaba mesmo em terror (com perdão do trocadilho), por quê?Porque simplesmente, as pessoas se sufocam, deixam de lado o mais belo dos direitos: A LIBERDADE! Passam a viver em seus “mundinhos fechados e auto-suficientes” e a que nome dá a isso?”amor!”
     Todas as maiores burradas são justificadas em nome desse sentimento que eu duvido que realmente exista, ou aliás, pode até existir mas que o ser - humano, no alto de sua arrogância ainda (e não o será tão cedo), capaz de alcançar. Tudo porque ele, com raríssimas exceções, não aprendeu o verdadeiro significado de amar: ser e deixar ser LIVRE!
     Contudo, não posso deixar de negar um último ponto desse “amor carnal”, a inesgotável fonte comercial que ele se tornou, senão, vejamos: ele é responsável pelo bombardeio de propagandas no “dia dos namorados” (apenas mais uma data inútil), ele garante o emprego de milhares de pessoas: compositores, poetas, literatos, cantores românticos que fazem verdadeiras fortunas “vendendo-o” na sua forma “mais pura”. Não negarei consumo e gosto de muitos desses poetas, compositores, cantores (afinal, todos tem uma dorzinha de cotovelo...), mas eu o consumo como algo utópico e inalcançável, pois ele assim o é, e outra, sempre tem a tal da licença poética...
     Quero salientar, por fim, que este texto é apenas uma forma sucinta e resumida de todo um ponto de vista, que já rendeu algumas boas horas de discussão com os incuráveis românticos de plantão, que andam por aí, à espera de um “amor”...

          Bom, primeiro tenho que agradecer a Hannah e a esse texto maravilhoso e claro, preciso admitir, muito pertinente, e agora gostaria de saber a opinião de vocês, no que crêem vocês à respeito do amor?

Ensaio sobre o Amor

          A idéia para os posts desta parte do blog surgiu d'uma discussão onde pude enxergar a possibilidade de se debater algo intrigante: o sentimento. Tão polêmico quanto política, religião e outros, mas por sua vez uma temática menos atraente (aparentemente), creio que há muito tem-se negligenciado a ela a devida atenção, principalmente porque, pelo que tenho observado, as discordâncias à respeito da mesma são tão acentuadas quanto nos temas anteriormente citados, portanto debatamos então, e de início já busco polemizar falando sobre o AMOR e claro, já que tratarei neste espaço de debates, expressarei sobre o tema selecionado minha posição e em seguida trarei a réplica de algum amigo convidado, sendo o primeiro uma amiga que já esboçou uma opinião completamente diferente da minha sobre a temática em questão, Hannah Jook. Bom, vejamos então como isso se desenrolará.



     O amor, creio eu, desenvolveu-se juntamente à humanidade, mais precisamente à sociedade, brotando no íntimo de seus integrantes timidamente, sob diversas formas, até lentamente consolidar-se tal qual o conhecemos hoje, tudo isso devido a uma necessidade que desenvolveu-se no homem com o fim de longa fase de intenso nomadismo, necessidade esta de relacionar-se mais e melhor com seu agora próximo, ou seja, bem como o meio no qual ele surgiu, marcado por constante mudança e veloz desenvolvimento, ele evoluiu até o momento em que tornou-se essencial a qualquer um de nós, hoje capazes de demonstrá-lo de distintas maneiras, seja familiar, divina dentre outras, mas irei ater-me apenas àquela que considero mais bela e pura: a sexual. Não me refiro ao sexo em si, este se mostra para mim, em alguns casos, como uma consequência do amor a que me refiro, seja ele homo ou heterossexual, do amor entre dois indivíduos, sendo este capaz de, impetuoso, aflorar através de um simples olhar ou até mesmo de surgir brando e ao longo do tempo crescer frondoso e, de um modo ou de outro, acredito que todos tenhamos passado por tão profunda experiência, mesmo crendo esta ter sido verdadeira ou não, mas triste observo isso acontecer cada vez menos visto que cada vez menos se acredita no amor por conta da utilização da imagem do mesmo em vão pelo mercado, por casais incautos, por exemplo, banalizando-o e gerando n'alguns profunda desilusão que os afastam da beleza de um relacionamento verdadeiro, de um sentimento tão absoluto quanto este, mas ainda sim, para mim, existe aí uma forte prova de que ele existe de fato, prova esta expressa no medo oriundo do mais frígiro coração, daquele que na verdade muito teme amar mais uma vez.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cotidiano e Trivial (1)

          Eu não planejava postar algo do gênero neste blog mas por conta disso não posso deixar de vincular uma propaganda como está, tão bonita, portanto recomendo que vejam e até os desafio, tentem não sorrir!


          Depois dessa só posso lhes pedir uma coisa, sejamos mais humanos, riamos para o próximo e levemos esse tipo de prática para a vida, sempre!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

À Flor da Pele - Beleza

     Hoje fui surpreendido por uma vontade impetuosa à procura de paz, conforto, vontade esta expressa na forma de um simples desejo: "Me escreve algo bonito?". Como não render-se à tal pedido?! Logo então inclinei-me sobre o teclado e me pus a pensar sem sequer imaginar quanto tempo isso me tomaria, e de fato me tomou bastante, me tomou todo o tempo que dispus até me dar conta de que seria incapaz de escrever algo tão belo e reconfortante quanto àquele desejo me pedira, afim de realizar-se, mas porque? É fato que o belo revela-se de modo único aos olhos de cada um, mas por que sequer pude expressar o que já viram os meus? Seria então a beleza, bem como seus frutos tal qual, por exemplo, a felicidade, tão efêmeras quanto declamam os mais saudosos poetas? Depois de tanto pensar afirmo que sim, sem dúvida. Frente feridas cálidas, nada são as belezas oriundas de momentos diversos senão dos mesmos breves recordações as quais erroneamente nos apegamos, buscando, sem êxito, omitir até a menor das cicatrizes sobre as quais os mesmos poetas também vivem e escrevem. Saudade, tristeza, aflição, traição, são essas dentre inúmeras outras as cicatrizes de que falam e de que também hoje falo, marcas que trazemos impressas na pele, expondo ao mundo que somos frágeis, que somos humanos, que compartilhamos de uma certeza transformadora chamada medo, capaz de converter-nos em seres hesitantes, enraizando-nos sobre a pureza do passado enquanto mostramo-nos indiferentes diante das prováveis amargas incertezas do futuro, mas também capaz de por-nos diante dos instantes mais intensos de nossas também efêmeras vidas, e foi exatamente a isso que busquei apegar-me. Há anos tenho visto meu futuro revelar-se sobre a forma de inúmeros nomes, formas, faces, sabores, amargo, doce, lembranças que jamais irei esquecer (embora ouse não apegar-me a elas) por conta da beleza trazida pelas mesmas, beleza esta que minhas palavras não puderam descrever e agora sei o motivo: elas não merecem ser descritas. Há muito as vivi e cada vez mais novas quero viver, procurando não afrontar a memória de nenhuma através da representação imperfeita desta ou d'outra, todas proporcionados pelos instantes em que não hesitei, exatamente como este em que muito divaguei, onde até ousei compreender a beleza por detrás do olho do mais revolto poeta.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Esmiuçando - Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso)

          Mais uma vez Esmiuçando e, atendendo ao pedido da Nath (adoro muito, beijo grande meu bem), que por sinal pediu uma música que esteve em minha mente há dias, trago desta vez a música LANTERNA DOS AFOGADOS, da banda Paralamas do Sucesso, muito bonita por sinal, e também o vídeo original desta e, no fim do post, a versão que, na minha opinião, é a melhor versão já cantada desta música (desculpa Maria Gadú), criada pelo cantor Leandro Lopes para as seletivas do programa Ídolos em 2006, enfim, espero que gostem.


Lanterna Dos Afogados
Os Paralamas do Sucesso


Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar


     De início, já peço desculpas pois admito, desdenhei esta música até ter de lê-la seguidas vezes a fim de obter uma percepção mais apurada sobre a mesma, não imaginei que encontraria nela antagonismo tão forte quanto o Incerteza X Esperança que talvez tenha passado despercebido por muitos de vocês, mas enfim, vamos fazer uma análise mais simplificada da mesma e, de início, lhes pergunto, quem aqui, triste, nunca apegou-se à noite como sua única confidente? Noite esta que, num instante como esse, de profunda tristeza e reflexão, parece sequer ter fim? Parece o único momento em que podemos enfim chorar, externar toda dor e angústia que pode nos estar consumindo, e é durante a noite que toda a música se passa, música esta escrito por alguém certamente apaixonado por outro(a) cuja reciprocidade a este sentimento desconhece, talvez desconheça a própria paixão deste, mas ainda assim ele vê-se disposto a tudo para que tal paixão se consuma visto que as "marcas" desse sentimento já estão "impressos em sua carne", mas foi a simplicidade do verso "basta poder te ajudar" que tornou isso para mim evidente, mas enfim, pare ele nem o tempo seria obstáculo visto que esperaria, tomado de esperança, enquanto inerte, paciente, na Lanterna dos Afogados.

     E agora, como prometido, o vídeo com a versão do Leandro Lopes, que deu ao sujeito desta música um ar altivo, visto que o rock no qual ele transforma a canção faz parecer limitado o tempo que este esperaria, dando a ele um caráter mais racional:


     Bom galera, estarei esperando mais sugestões e espero que tenham gostado. Obrigado por lerem!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Vida na Arte Refletida - Passional

          Este próximo post é apenas para os corajosos pq enfim, ele ficou enorme!
Mas enfim, como ainda não me foram dados textos de outras pessoas para serem postados, aqui vai mais um de autoria minha, uma crônica que espero que gostem.
    
Passional

     Noite após noite, ali chorava. Fizera dali um templo erigido à lembranças e lágrimas, e nada além daquilo lhe restara. Nada além de uma rosa que, pétala à pétala, com os olhos marejados vira murchar. Também uma taça rasa de um bom Bordeaux avinagrado, uma chama sôfrega sobre um monte de cera sem forma e uma cadeira vazia a acompanhar-lhe naquele jantar. Nem mesmo sua etiqueta lhe restara pois, sobre a mesa, de modo ameaçador, uma faca de prata apontava sua lâmina serrilhada para longe do prato e, por produzir um reluzir metálico, ela profundamente o incomodara, tomando-lhe precioso tempo desperdiçado em insensata admiração, tempo este há muito dedicado a suas lamúrias que tomaram-lhe também o sono e a sanidade. Buscando corrigir tamanho erro, debruçou-se sobre a mesa e lentamente estendeu seu braço sobre a mesma, esgueirando-o através de tudo que havia disposto sobre ela. De início cruzou com sua taça, ignorou-a quando se deparou com a garrafa de vinho vazia, então a circundou com cautela a fim de não causar tumulto maior. Depois, o castiçal, de aspecto imponente, onde nada mais que um resquício de vela queimava, o desafiara a atravessá-lo, então o fez, mas incauto, e logo sentira, por conta disso, sua pele arder pela chama que com avidez tremulara. “Calor”, dissera inconscientemente, deslumbrado com singular sensação que o recordara algo por um breve instante. Logo parecia relevante para ele. Em seguida viu uma última taça a ornar a mesa. Está encontrava-se cheia, parecia ansiar por um gole capaz de sorver-lhe todo o vinho que por sua vez tomara-lhe até a boca, sufocando-a, assim pensou. Vã ilusão, penso eu, atribuída a uma simples taça cujo conteúdo parecia mais saboroso que sua saliva amarga. A sim, esta sensação ele conhecia bem, era inveja, mas agora, após tanto divagar, tinha a faca ao alcance do punho. Ele a toca e logo se vê tomado pelo gélido metal, tão frio quanto o impulso de morto que viria em seguida. “Irônico”, murmurou enquanto tomava forma em seu rosto um sorriso repleto de sadismo, sorriso este indiferente a face de sua silhueta enegrecida, impressa atrás de si sobre a parede marfim pela chama que parecia ainda a muito querer consumir, mas algo que através desta poderia se ver era o que viria à seguir. Um braço se ergue, este munido de faca e, por um instante, ele parece hesitar. Logo, a mesma vê-se brandida e, antes que pudesse ter sobre algo a sua fúria irrompida, um forte vento adentra o cômodo através de uma janela e apaga a insistente chama. Nada pudera se ver dali em diante, mas um tilintar metálica encerrara tamanha tensão. Em seguida, sobre a mesa, um subido golpe se faz ouvir e logo se emudece tão subitamente como quando surgira, deixando que apenas um gotejar passasse a ecoar soberbo pela sala, incessantemente. Foi o que por muito tempo se pôde ouvir até que vieram os firmes passos que se direcionaram à porta que, quando aberta, trouxe luz àquele cômodo, revelando a faca que, embebida em vinha, jazia inerte sobre o chão d’onde parecia brotar um veio de escarlate líquido oriundo na verdade da mesa que parecia sangrar, ferida pelo passado que sobre si se apagara, passado que nada mais deixara para trás, nem sequer vinho, nem flor, nem vela, nem homem.

sábado, 13 de novembro de 2010

À Flor da Pele - Esperança

     À meses tenho acompanhado a trajetória d'um artista de rua que tem conquistado a atenção de muitos, inclusive a minha, através dos vídeos dele postados por outros na internet, pessoas que foram, assim como eu, cativadas pelo talento do mesmo, que se perde entre vielas de uma cidade grande e algumas câmeras de celular. É dele, Ruan Veloso, o vendedor de balas, que falo e é em homenagem a ele, assim como a tantos outros aqui representados à sua imagem, que dedico este post, a eles que, na minha opinião, refletem bem o descaso de que são tomados artistas vários, todos ludibriados por um sonho que, mesmo pago à sangue, provavelmente não vai se realizar, mas a quem culpar? Isto não vem ao caso aqui, o que quero ressaltar é a vontade de muitos destes de dar continuidade a este sonho, e tomando Ruan Veloso como exemplo, este homem cuja história, marcada por força e humildade (esta última constantemente retratada em alguns de seus vídeos onde já o vi inclusive vender balas ao cinegrafista), me tocou, fazendo-me questionar: quem sou eu afinal para, mesmo diante das inúmeras oportunidades que tive e tenho, não poder cantar um dia quando pessoas como ele aprenderam e muito bem a o fazer sozinhas? Quando pessoas como ele que, mesmo diante de tantas adversidades, puderam compor músicas como "Lute, Lute" (que estará logo aqui em baixo num vídeo onde ele é também entrevistado) que certamente trás em si impressa a vontade deste de vencer? Quem? Pois bem, talvez muitos que leram isto não soubessem que meu maior sonho hoje é ser músico, cantar, mas enfim, se é que um dia este sonho se realizará, muito disto deverei a histórias como a deste homem que nos ensinam que passos daremos aos montes no dia em que aprendermos a caminhar.


     E logo abaixo, como prometi...


"Lute, lute, batalhe, vá em frente, não olhe para trás, atrás vem gente" - Lute, lute (Ruan Veloso)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Esmiuçando - Olhos Vermelhos (Capital Inicial)

          Este espaço será dedicado a minha criatividade (e por que não dizer que a minha sensibilidade também?) com a qual pretendo cativar a atenção de alguns de vocês com o que vou postar aqui, mas claro, aberto sempre a críticas e sugestões. Enfim, nesta parte do blog verão músicas, textos, expressões artísticas diversas, todas esmiuçadas (daí surgiu a idéia do nome) sob o meu ponto de vista, e de início trago a letra de OLHOS VERMELHOS da banda (de que sou fã) Capital Inicial e já aqui em baixo irei postar o vídeo seguido da letra da música para quem quiser conferir, vale à pena.


Olhos Vermelhos
Capital Inicial


Os velhos olhos vermelhos voltaram
Dessa vez
Com o mundo nas costas
E a cidade nos pés
Pra que sofrer se nada é pra sempre?
Pra que correr
Se nunca me vejo de frente

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram
De vez

Os velhos olhos vermelhos enganam
Sem querer
Parecem claros, frios, distantes
Não têm nada a perder
Por que se preocupar por tão pouco?
Por que chorar
Se amanhã tudo muda de novo?

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez



     Bom, já no começo ele cita os tais olhos vermelhos e nos dá um primeiro motivo para a aparição dos mesmos, que antes se dava de forma banal, mas sempre, obviamente, motivada pelo choro: o peso que nos é imposto pela sociedade, mas logo em seguida, vem o questionamento, momento onde ele se pergunta se vale à pena viver tamanha angústia se, motivado por esta, ele nunca vai encontrar a si, mas a uma máscara que por conta disso, inconscientemente, decide vestir! Eis então que ele decide: "Parei de pensar e comecei a sentir". Pra mim, é quando ele abdica de toda essa dor e principalmente culpa e passa a viver à margem dela, e o restante do refrão explicíta bem isso quando ele se mostra feliz pela permanência destes tais olhos vermelhos, agora cantados de modo firme, de modo a exemplificar a ideológico sob a qual deveriamos todos viver.


     Bom, espero que tenham gostado, estou esperando sugestões de algo novo a "esmiuçar". Obrigado pessoal.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

À Flor da Pele - Saudade

    
          Enquanto me vestia de frente para o espelho, vi a manga da camisa marcada à sol em meu braço e lembrei-me de um fim de semana incrível, memorável pela simplicidade de tudo que o envolveu, inclusive do devaneio que inspirou esta crônica.

     Eram dias regados à muito vinho e música, esta de dedos ávidos e vozes roucas ecoava através da praia onde ardia uma fogueira que, mesmo sôfrega, queimava, impondo-se a Hélio que lançava seus fortes ventos contra terra e mar. Sim, o mar, augusto mar, tomava para si o horizonte com imponência assim como há sempre de o fazer. E a noite que a tudo isso envolvia?! Desta lembro bem, lua, estrelas mil, juntas tingiam-na de luz, brilho radiante apoderou-se da mesma, mas, por um instante, este ofuscou-se. Olhei para um lado, olhei para o outro e vi as luzes das cidades que por um instante fizeram-me refletir. Fizeram-me lembrar dos dias que rotineiramente se seguiram até aquele momento, dias de cobiça, de pressa, de fúria, de desespero, de profunda inquietação, dias que cego vivi e assim continuarei vivendo-os até o momento em que deva novamente abrir meus ollhos, ansiando ver o mesmo resplandecente céu e luar, rodiado pelos amigos, rindo todos à toa, à margem de algo tão artificial quanto aquelas luzes que, por um instante, ousaram calar meu eufórico riso.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Vida na Arte Refletida - Soneto a uma estranha

          Essa é uma parte do blog que, em particular, acho especial. Nela, o amadorismo de diversos autores será explorado. Postarei aqui criações destes, todos que tiverem o interesse de ter algo seu publicado aqui, seja qual for sua vertente artística, e para abrir esta parte do blog, vou postar aqui um soneto criado para um sarau, inspirado em muitos dos erros com os quais já convivi:

     Soneto a uma estranha


Tenho em ti, desde então, a perfeição sempre vislumbrada
Tu que, pele em flor, me trarás do perfume ao odor asco
E assim ei de distrair-me de teu íntimo dissimulado
Mais que osso e carne num desenho denso e grácil


Mas também frágil ao toque deste que frente a ti, incauto
Irromper-lhe-á com covarde furor falsas emoções
Por ver em ti nada mais que um par de seios cálidos
Enquanto sob falso encanto, jazerás embebe num mar de tantas outras tentações


Hoje ilusões do que para mim um dia de fato será:
Uma boca d’onde, por minha culpa, nada mais que fel brotará
Languidos braços que não mais semearão qualquer acalento


Turvos olhos que não mais me trarão sequer alento
Vacilante coração, este meu, que de remorso fenecerá
Por amanhã conhecer-te e já hoje, por tua perda, incessantemente praguejar


                    Pedro R. Gregório

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

À Flor da Pele - Raiva

     É do que trata o primeiro post sobre a temática deste blog, e diante das eleições que já passaram, o tema poderia ser apenas um: POLÍTICA! Pois bem, com o fim das eleições, parte de vocês vibrou com a vitória do seu candidato (candidata no caso), outros entristeceram-se com a derrota do seu, ou seja, instalou-se sobre o país um misto de sensações, alegrias, tristezas, mas também revolta e esta, ínfima, entre as outras brota, oriunda de mais um equívoco cometido neste país cujo os equívocos cometidos são vários, a começar por esta dita "democracia" que aqui só é assim chamada por pura leviandade, mas enfim, não é sobre isto que quero falar, quero direcionar essa raiva ao povo brasileiro, parte dele, essa parte que devota a vida ao circo que a sua volta armou-se há tempos, circo este onde palhaços cabem aos milhares, todos marcarados d'um verde e amarelo desbotados que cegam-lhe a vista e a verdade. Pois bem, é a este exemplo de brasile..., perdão, palhaço, que comemorou fervorosamente a vitória de uma política sem personalidade e já hoje cruza os braços, apático, esperando que o país salte rumo ao G5 (se é que sabem o que isso significa) através dos mandos e desmandos de nossa presidenta. Aos que disperdiçaram seu voto o dando a um político de visão limitada, eu os incluo aqui também, mas enfim, em suma, a todos vocês, que vêem numa escolha o destino deste país traçado, se crêem ser assim simples, me digam, quando uma simples escolha lhes trouxe grande mudança? Nunca, pq resta ainda ter atitude, assim o país poderia mudar, poderia, eu digo, poderia pq você não muda!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sobre o Blog

     Bom, pela complexidade do tema que verão por estas páginas (espero eu que várias), eu pensei em abordá-lo de diversas formas, parte destas relativizadas sob o meu ponto de vista, este exprimido sobre temas diversos que merecem atenção, mas não resumirei este blog a isso, afinal, o sentimentalismo, por sua abrangência, pede por opiniões, e as suas serão exploradas de diversas maneiras, através, por exemplo, de diversas expressões artísticas, minhas e de vários outros, seja escrita, pintura ou quaisquer outras coisas do gênero. Depoimentos sobre as diversas maneiras de "sentir" também serão postados aqui e, espero eu, profundamente debatidos (muito embora a dificuldade disto ser feito através de um blog seja indescritível, mas enfim). No mais, o que espero ver aqui é não a minha, mas a nossa pele EM FLOR E MINÚCIA, até onde possível isso for!

Nota de Entrada

     Dia após dia, muito se sente e, por conta disso, muito também se angustia. Lidar com o sentimentalismo a nós inerente é um desafio do qual muitos se obstêem, outros simplesmente o abstraem, mas eu (assim como tantos outros poucos) encaro-o como um simples capricho rotineiro ao qual deveriamos todos nos ater a fim de melhor compreender-mo-nos bem como ao nosso próximo. N'outras palavras, para mim, sentir foi sempre a resposta.
     Pretensão achar que seria simples para qualquer um encontrar tal resposta, achar que seria tão simples quanto um parágrafo possa fazer parecer, pretensão seria também achar que este blog poderia me trazer a mesma (afinal não serão apenas os meus relatos a preencher estas páginas), de fato ele não a trará, e sinto-me feliz por isso pois hoje, o que procuro são incógnitas, afinal perguntas me trazem o prazer do desconhecido assim como um necessário conforto, conforto do qual dependemos todos para que tais perguntas não sejam esquecidas, e assim, por nós, sejam mais intensamente vividas para que, creio eu, tamanha angústia seja finalmente esquecida.