
Aparentemente sua infância conturbada contribuiria para a formação do seu caráter (ou desconstruiria este, é tudo uma questão de perspectiva) que ainda menino Rimbaud viria a apresentar em sua obra pois, como poeta, dizem, ele vivia e logo era sua poesia, mas deixemos dados biográficos profundos de lado. Então, como pródigio, fora levado por seu futuro amante em um Bateau Ivre a Paris, onde as noites regadas a absinto, haxixe e paixão fariam aflorar nele a volúpia, a violência, cada pecado que estamparia inúmeras páginas de tinta e emoção que inclusive fariam-no renegar à métrica poética e trariam a França deveras parnasiana o verso livre, que melhor ilustraria sua vida e a verdade por trás desta. Em síntese, foi com isto que me deparei enquanto devorava cada página de seu "Temporada no Inferno", uma espiral de emoções que cativaram-me, tentaram-me a enxergar aquele jovem perversor caminhando sobre a Europa, inócuo aos transeuntes, mas não aos valores destes, da época, subvertidos por ele através de sua poesia simbolista, realista e audaz pela qual me senti desafiado a ler mais e com certeza o farei.
