“Amor é estado de graça e com amor não se paga.”
Carlos Drummond de Andrade
Primeiramente, obrigada Pedro pelo convite de escrever sobre tão polêmico tema, confesso que muito tenho refletido sobre isso e que como toda opinião está passível de mudança e já que isto é um debate, colocarei meus pontos de vista e tentarei explicá-los da melhor forma possível. Contudo, é válido avisar ao leitor que muitas vezes, poderei ser obscura e até parecer contraditória, mas pronta estarei para responder ou dialogar, pois como já disse trata-se de um debate e nada aqui esta cristalizado, apesar de eu, particularmente acreditar no que escreverei aqui.
Sem mais delongas vamos ao "AMOR", dentre os vários tipos de “amores”, o que será aqui debatido, em particular, é aquele que chamo “amor carnal”, ou “sexual”, como utilizado pelo Pedro, ou seja, o “amor” compartilhado por duas pessoas. Não creio que exista este tipo de “amor”. Não naquilo que eu creia que o seja, tal qual eu coloquei na epígrafe desse texto o “amor” é estado de graça e gratuito, ora, como posso crer nesse tipo de “amor” se o que eu vejo por toda parte é uma guerra de ciúmes por todas as partes, o egoísmo reinando nos relacionamentos, onde o companheiro(a) passa a ser objeto (ou algo que se assemelhe à isto) do ser “amado”, onde apenas se ouve: você é MEU namorado(a), onde as pessoas passam a controlar, literalmente, a vida do outro, isso tudo sob a desculpa (furada) de que “quem ama, cuida”! Ora, deixemos de besteiras e possessões absurdas. Primeiro: ninguém pertence a ninguém, e como já diria Raulzito: “Amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade...” Então, como posso crer nesse tipo de “amor”? Onde os relacionamentos que se baseiam nele, são relacionamentos castradores, individualistas, egoístas. Em que para “comprovar o meu amor”, eu reduzo o outro ou a outra em objeto do meu prazer, pessoal e intransferível, onde privo o meu/minha amado(a) de coisas que antes eram-lhes comuns.
Vocês já perceberam como as pessoas mudam depois que iniciam um relacionamento? Tá bem, eu entendo no começo tudo são flores, estão no “fogo da paixão”, mas e aí? Com o tempo, o que era pra ser construído em um lindo “amor”, muitas vezes, acaba mesmo em terror (com perdão do trocadilho), por quê?Porque simplesmente, as pessoas se sufocam, deixam de lado o mais belo dos direitos: A LIBERDADE! Passam a viver em seus “mundinhos fechados e auto-suficientes” e a que nome dá a isso?”amor!”
Todas as maiores burradas são justificadas em nome desse sentimento que eu duvido que realmente exista, ou aliás, pode até existir mas que o ser - humano, no alto de sua arrogância ainda (e não o será tão cedo), capaz de alcançar. Tudo porque ele, com raríssimas exceções, não aprendeu o verdadeiro significado de amar: ser e deixar ser LIVRE!
Contudo, não posso deixar de negar um último ponto desse “amor carnal”, a inesgotável fonte comercial que ele se tornou, senão, vejamos: ele é responsável pelo bombardeio de propagandas no “dia dos namorados” (apenas mais uma data inútil), ele garante o emprego de milhares de pessoas: compositores, poetas, literatos, cantores românticos que fazem verdadeiras fortunas “vendendo-o” na sua forma “mais pura”. Não negarei consumo e gosto de muitos desses poetas, compositores, cantores (afinal, todos tem uma dorzinha de cotovelo...), mas eu o consumo como algo utópico e inalcançável, pois ele assim o é, e outra, sempre tem a tal da licença poética...
Quero salientar, por fim, que este texto é apenas uma forma sucinta e resumida de todo um ponto de vista, que já rendeu algumas boas horas de discussão com os incuráveis românticos de plantão, que andam por aí, à espera de um “amor”...
Bom, primeiro tenho que agradecer a Hannah e a esse texto maravilhoso e claro, preciso admitir, muito pertinente, e agora gostaria de saber a opinião de vocês, no que crêem vocês à respeito do amor?
