sábado, 27 de novembro de 2010

Ensaio sobre o Amor - Réplica

          Agora, como prometido...


“Amor é estado de graça e com amor não se paga.”
Carlos Drummond de Andrade


     Primeiramente, obrigada Pedro pelo convite de escrever sobre tão polêmico tema, confesso que muito tenho refletido sobre isso e que como toda opinião está passível de mudança e já que isto é um debate, colocarei meus pontos de vista e tentarei explicá-los da melhor forma possível. Contudo, é válido avisar ao leitor que muitas vezes, poderei ser obscura e até parecer contraditória, mas pronta estarei para responder ou dialogar, pois como já disse trata-se de um debate e nada aqui esta cristalizado, apesar de eu, particularmente acreditar no que escreverei aqui.
     Sem mais delongas vamos ao "AMOR", dentre os vários tipos de “amores”, o que será aqui debatido, em particular, é aquele que chamo “amor carnal”, ou “sexual”, como utilizado pelo Pedro, ou seja, o “amor” compartilhado por duas pessoas. Não creio que exista este tipo de “amor”. Não naquilo que eu creia que o seja, tal qual eu coloquei na epígrafe desse texto o “amor” é estado de graça e gratuito, ora, como posso crer nesse tipo de “amor” se o que eu vejo por toda parte é uma guerra de ciúmes por todas as partes, o egoísmo reinando nos relacionamentos, onde o companheiro(a) passa a ser objeto (ou algo que se assemelhe à isto) do ser “amado”, onde apenas se ouve: você é MEU namorado(a), onde as pessoas passam a controlar, literalmente, a vida do outro, isso tudo sob a desculpa (furada) de que “quem ama, cuida”! Ora, deixemos de besteiras e possessões absurdas. Primeiro: ninguém pertence a ninguém, e como já diria Raulzito: “Amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade...” Então, como posso crer nesse tipo de “amor”? Onde os relacionamentos que se baseiam nele, são relacionamentos castradores, individualistas, egoístas. Em que para “comprovar o meu amor”, eu reduzo o outro ou a outra em objeto do meu prazer, pessoal e intransferível, onde privo o  meu/minha amado(a) de coisas que antes eram-lhes comuns.
     Vocês já perceberam como as pessoas mudam depois que iniciam um relacionamento? Tá bem, eu entendo no começo tudo são flores, estão no “fogo da paixão”, mas e aí? Com o tempo, o que era pra ser construído em um lindo “amor”, muitas vezes, acaba mesmo em terror (com perdão do trocadilho), por quê?Porque simplesmente, as pessoas se sufocam, deixam de lado o mais belo dos direitos: A LIBERDADE! Passam a viver em seus “mundinhos fechados e auto-suficientes” e a que nome dá a isso?”amor!”
     Todas as maiores burradas são justificadas em nome desse sentimento que eu duvido que realmente exista, ou aliás, pode até existir mas que o ser - humano, no alto de sua arrogância ainda (e não o será tão cedo), capaz de alcançar. Tudo porque ele, com raríssimas exceções, não aprendeu o verdadeiro significado de amar: ser e deixar ser LIVRE!
     Contudo, não posso deixar de negar um último ponto desse “amor carnal”, a inesgotável fonte comercial que ele se tornou, senão, vejamos: ele é responsável pelo bombardeio de propagandas no “dia dos namorados” (apenas mais uma data inútil), ele garante o emprego de milhares de pessoas: compositores, poetas, literatos, cantores românticos que fazem verdadeiras fortunas “vendendo-o” na sua forma “mais pura”. Não negarei consumo e gosto de muitos desses poetas, compositores, cantores (afinal, todos tem uma dorzinha de cotovelo...), mas eu o consumo como algo utópico e inalcançável, pois ele assim o é, e outra, sempre tem a tal da licença poética...
     Quero salientar, por fim, que este texto é apenas uma forma sucinta e resumida de todo um ponto de vista, que já rendeu algumas boas horas de discussão com os incuráveis românticos de plantão, que andam por aí, à espera de um “amor”...

          Bom, primeiro tenho que agradecer a Hannah e a esse texto maravilhoso e claro, preciso admitir, muito pertinente, e agora gostaria de saber a opinião de vocês, no que crêem vocês à respeito do amor?

Ensaio sobre o Amor

          A idéia para os posts desta parte do blog surgiu d'uma discussão onde pude enxergar a possibilidade de se debater algo intrigante: o sentimento. Tão polêmico quanto política, religião e outros, mas por sua vez uma temática menos atraente (aparentemente), creio que há muito tem-se negligenciado a ela a devida atenção, principalmente porque, pelo que tenho observado, as discordâncias à respeito da mesma são tão acentuadas quanto nos temas anteriormente citados, portanto debatamos então, e de início já busco polemizar falando sobre o AMOR e claro, já que tratarei neste espaço de debates, expressarei sobre o tema selecionado minha posição e em seguida trarei a réplica de algum amigo convidado, sendo o primeiro uma amiga que já esboçou uma opinião completamente diferente da minha sobre a temática em questão, Hannah Jook. Bom, vejamos então como isso se desenrolará.



     O amor, creio eu, desenvolveu-se juntamente à humanidade, mais precisamente à sociedade, brotando no íntimo de seus integrantes timidamente, sob diversas formas, até lentamente consolidar-se tal qual o conhecemos hoje, tudo isso devido a uma necessidade que desenvolveu-se no homem com o fim de longa fase de intenso nomadismo, necessidade esta de relacionar-se mais e melhor com seu agora próximo, ou seja, bem como o meio no qual ele surgiu, marcado por constante mudança e veloz desenvolvimento, ele evoluiu até o momento em que tornou-se essencial a qualquer um de nós, hoje capazes de demonstrá-lo de distintas maneiras, seja familiar, divina dentre outras, mas irei ater-me apenas àquela que considero mais bela e pura: a sexual. Não me refiro ao sexo em si, este se mostra para mim, em alguns casos, como uma consequência do amor a que me refiro, seja ele homo ou heterossexual, do amor entre dois indivíduos, sendo este capaz de, impetuoso, aflorar através de um simples olhar ou até mesmo de surgir brando e ao longo do tempo crescer frondoso e, de um modo ou de outro, acredito que todos tenhamos passado por tão profunda experiência, mesmo crendo esta ter sido verdadeira ou não, mas triste observo isso acontecer cada vez menos visto que cada vez menos se acredita no amor por conta da utilização da imagem do mesmo em vão pelo mercado, por casais incautos, por exemplo, banalizando-o e gerando n'alguns profunda desilusão que os afastam da beleza de um relacionamento verdadeiro, de um sentimento tão absoluto quanto este, mas ainda sim, para mim, existe aí uma forte prova de que ele existe de fato, prova esta expressa no medo oriundo do mais frígiro coração, daquele que na verdade muito teme amar mais uma vez.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cotidiano e Trivial (1)

          Eu não planejava postar algo do gênero neste blog mas por conta disso não posso deixar de vincular uma propaganda como está, tão bonita, portanto recomendo que vejam e até os desafio, tentem não sorrir!


          Depois dessa só posso lhes pedir uma coisa, sejamos mais humanos, riamos para o próximo e levemos esse tipo de prática para a vida, sempre!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

À Flor da Pele - Beleza

     Hoje fui surpreendido por uma vontade impetuosa à procura de paz, conforto, vontade esta expressa na forma de um simples desejo: "Me escreve algo bonito?". Como não render-se à tal pedido?! Logo então inclinei-me sobre o teclado e me pus a pensar sem sequer imaginar quanto tempo isso me tomaria, e de fato me tomou bastante, me tomou todo o tempo que dispus até me dar conta de que seria incapaz de escrever algo tão belo e reconfortante quanto àquele desejo me pedira, afim de realizar-se, mas porque? É fato que o belo revela-se de modo único aos olhos de cada um, mas por que sequer pude expressar o que já viram os meus? Seria então a beleza, bem como seus frutos tal qual, por exemplo, a felicidade, tão efêmeras quanto declamam os mais saudosos poetas? Depois de tanto pensar afirmo que sim, sem dúvida. Frente feridas cálidas, nada são as belezas oriundas de momentos diversos senão dos mesmos breves recordações as quais erroneamente nos apegamos, buscando, sem êxito, omitir até a menor das cicatrizes sobre as quais os mesmos poetas também vivem e escrevem. Saudade, tristeza, aflição, traição, são essas dentre inúmeras outras as cicatrizes de que falam e de que também hoje falo, marcas que trazemos impressas na pele, expondo ao mundo que somos frágeis, que somos humanos, que compartilhamos de uma certeza transformadora chamada medo, capaz de converter-nos em seres hesitantes, enraizando-nos sobre a pureza do passado enquanto mostramo-nos indiferentes diante das prováveis amargas incertezas do futuro, mas também capaz de por-nos diante dos instantes mais intensos de nossas também efêmeras vidas, e foi exatamente a isso que busquei apegar-me. Há anos tenho visto meu futuro revelar-se sobre a forma de inúmeros nomes, formas, faces, sabores, amargo, doce, lembranças que jamais irei esquecer (embora ouse não apegar-me a elas) por conta da beleza trazida pelas mesmas, beleza esta que minhas palavras não puderam descrever e agora sei o motivo: elas não merecem ser descritas. Há muito as vivi e cada vez mais novas quero viver, procurando não afrontar a memória de nenhuma através da representação imperfeita desta ou d'outra, todas proporcionados pelos instantes em que não hesitei, exatamente como este em que muito divaguei, onde até ousei compreender a beleza por detrás do olho do mais revolto poeta.