segunda-feira, 22 de novembro de 2010
À Flor da Pele - Beleza
Hoje fui surpreendido por uma vontade impetuosa à procura de paz, conforto, vontade esta expressa na forma de um simples desejo: "Me escreve algo bonito?". Como não render-se à tal pedido?! Logo então inclinei-me sobre o teclado e me pus a pensar sem sequer imaginar quanto tempo isso me tomaria, e de fato me tomou bastante, me tomou todo o tempo que dispus até me dar conta de que seria incapaz de escrever algo tão belo e reconfortante quanto àquele desejo me pedira, afim de realizar-se, mas porque? É fato que o belo revela-se de modo único aos olhos de cada um, mas por que sequer pude expressar o que já viram os meus? Seria então a beleza, bem como seus frutos tal qual, por exemplo, a felicidade, tão efêmeras quanto declamam os mais saudosos poetas? Depois de tanto pensar afirmo que sim, sem dúvida. Frente feridas cálidas, nada são as belezas oriundas de momentos diversos senão dos mesmos breves recordações as quais erroneamente nos apegamos, buscando, sem êxito, omitir até a menor das cicatrizes sobre as quais os mesmos poetas também vivem e escrevem. Saudade, tristeza, aflição, traição, são essas dentre inúmeras outras as cicatrizes de que falam e de que também hoje falo, marcas que trazemos impressas na pele, expondo ao mundo que somos frágeis, que somos humanos, que compartilhamos de uma certeza transformadora chamada medo, capaz de converter-nos em seres hesitantes, enraizando-nos sobre a pureza do passado enquanto mostramo-nos indiferentes diante das prováveis amargas incertezas do futuro, mas também capaz de por-nos diante dos instantes mais intensos de nossas também efêmeras vidas, e foi exatamente a isso que busquei apegar-me. Há anos tenho visto meu futuro revelar-se sobre a forma de inúmeros nomes, formas, faces, sabores, amargo, doce, lembranças que jamais irei esquecer (embora ouse não apegar-me a elas) por conta da beleza trazida pelas mesmas, beleza esta que minhas palavras não puderam descrever e agora sei o motivo: elas não merecem ser descritas. Há muito as vivi e cada vez mais novas quero viver, procurando não afrontar a memória de nenhuma através da representação imperfeita desta ou d'outra, todas proporcionados pelos instantes em que não hesitei, exatamente como este em que muito divaguei, onde até ousei compreender a beleza por detrás do olho do mais revolto poeta.
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Um comentário:
Sem palavras para agredecer, Pedro!Vc tocou no belo com seu modo de escrever e isso já eh muito, acredite, belas palvras, belas formas, belos exemplos."somos humanos, que compartilhamos de uma certeza transformadora chamada medo, capaz de converter-nos em seres hesitantes...'Isso, realmente, dentre varios trechos foi tocante...Muito, muito obrigada por esta beleza e reconforto de hj!bjus
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