quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Esmiuçando - Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso)

          Mais uma vez Esmiuçando e, atendendo ao pedido da Nath (adoro muito, beijo grande meu bem), que por sinal pediu uma música que esteve em minha mente há dias, trago desta vez a música LANTERNA DOS AFOGADOS, da banda Paralamas do Sucesso, muito bonita por sinal, e também o vídeo original desta e, no fim do post, a versão que, na minha opinião, é a melhor versão já cantada desta música (desculpa Maria Gadú), criada pelo cantor Leandro Lopes para as seletivas do programa Ídolos em 2006, enfim, espero que gostem.


Lanterna Dos Afogados
Os Paralamas do Sucesso


Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar


     De início, já peço desculpas pois admito, desdenhei esta música até ter de lê-la seguidas vezes a fim de obter uma percepção mais apurada sobre a mesma, não imaginei que encontraria nela antagonismo tão forte quanto o Incerteza X Esperança que talvez tenha passado despercebido por muitos de vocês, mas enfim, vamos fazer uma análise mais simplificada da mesma e, de início, lhes pergunto, quem aqui, triste, nunca apegou-se à noite como sua única confidente? Noite esta que, num instante como esse, de profunda tristeza e reflexão, parece sequer ter fim? Parece o único momento em que podemos enfim chorar, externar toda dor e angústia que pode nos estar consumindo, e é durante a noite que toda a música se passa, música esta escrito por alguém certamente apaixonado por outro(a) cuja reciprocidade a este sentimento desconhece, talvez desconheça a própria paixão deste, mas ainda assim ele vê-se disposto a tudo para que tal paixão se consuma visto que as "marcas" desse sentimento já estão "impressos em sua carne", mas foi a simplicidade do verso "basta poder te ajudar" que tornou isso para mim evidente, mas enfim, pare ele nem o tempo seria obstáculo visto que esperaria, tomado de esperança, enquanto inerte, paciente, na Lanterna dos Afogados.

     E agora, como prometido, o vídeo com a versão do Leandro Lopes, que deu ao sujeito desta música um ar altivo, visto que o rock no qual ele transforma a canção faz parecer limitado o tempo que este esperaria, dando a ele um caráter mais racional:


     Bom galera, estarei esperando mais sugestões e espero que tenham gostado. Obrigado por lerem!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Vida na Arte Refletida - Passional

          Este próximo post é apenas para os corajosos pq enfim, ele ficou enorme!
Mas enfim, como ainda não me foram dados textos de outras pessoas para serem postados, aqui vai mais um de autoria minha, uma crônica que espero que gostem.
    
Passional

     Noite após noite, ali chorava. Fizera dali um templo erigido à lembranças e lágrimas, e nada além daquilo lhe restara. Nada além de uma rosa que, pétala à pétala, com os olhos marejados vira murchar. Também uma taça rasa de um bom Bordeaux avinagrado, uma chama sôfrega sobre um monte de cera sem forma e uma cadeira vazia a acompanhar-lhe naquele jantar. Nem mesmo sua etiqueta lhe restara pois, sobre a mesa, de modo ameaçador, uma faca de prata apontava sua lâmina serrilhada para longe do prato e, por produzir um reluzir metálico, ela profundamente o incomodara, tomando-lhe precioso tempo desperdiçado em insensata admiração, tempo este há muito dedicado a suas lamúrias que tomaram-lhe também o sono e a sanidade. Buscando corrigir tamanho erro, debruçou-se sobre a mesa e lentamente estendeu seu braço sobre a mesma, esgueirando-o através de tudo que havia disposto sobre ela. De início cruzou com sua taça, ignorou-a quando se deparou com a garrafa de vinho vazia, então a circundou com cautela a fim de não causar tumulto maior. Depois, o castiçal, de aspecto imponente, onde nada mais que um resquício de vela queimava, o desafiara a atravessá-lo, então o fez, mas incauto, e logo sentira, por conta disso, sua pele arder pela chama que com avidez tremulara. “Calor”, dissera inconscientemente, deslumbrado com singular sensação que o recordara algo por um breve instante. Logo parecia relevante para ele. Em seguida viu uma última taça a ornar a mesa. Está encontrava-se cheia, parecia ansiar por um gole capaz de sorver-lhe todo o vinho que por sua vez tomara-lhe até a boca, sufocando-a, assim pensou. Vã ilusão, penso eu, atribuída a uma simples taça cujo conteúdo parecia mais saboroso que sua saliva amarga. A sim, esta sensação ele conhecia bem, era inveja, mas agora, após tanto divagar, tinha a faca ao alcance do punho. Ele a toca e logo se vê tomado pelo gélido metal, tão frio quanto o impulso de morto que viria em seguida. “Irônico”, murmurou enquanto tomava forma em seu rosto um sorriso repleto de sadismo, sorriso este indiferente a face de sua silhueta enegrecida, impressa atrás de si sobre a parede marfim pela chama que parecia ainda a muito querer consumir, mas algo que através desta poderia se ver era o que viria à seguir. Um braço se ergue, este munido de faca e, por um instante, ele parece hesitar. Logo, a mesma vê-se brandida e, antes que pudesse ter sobre algo a sua fúria irrompida, um forte vento adentra o cômodo através de uma janela e apaga a insistente chama. Nada pudera se ver dali em diante, mas um tilintar metálica encerrara tamanha tensão. Em seguida, sobre a mesa, um subido golpe se faz ouvir e logo se emudece tão subitamente como quando surgira, deixando que apenas um gotejar passasse a ecoar soberbo pela sala, incessantemente. Foi o que por muito tempo se pôde ouvir até que vieram os firmes passos que se direcionaram à porta que, quando aberta, trouxe luz àquele cômodo, revelando a faca que, embebida em vinha, jazia inerte sobre o chão d’onde parecia brotar um veio de escarlate líquido oriundo na verdade da mesa que parecia sangrar, ferida pelo passado que sobre si se apagara, passado que nada mais deixara para trás, nem sequer vinho, nem flor, nem vela, nem homem.