Era domingo. Estava no Passeio Público numa aula de campo de fotografia. Os exercícios que deveria realizar eram claros mas não eram o suficiente. Enquanto procurava cena que merecesse a atenção de minha lente, foi com a imagem acima que me deparei. Rapidamente a fotografei antes que homem e ideia (minha) fizessem-se estranhos e o resultado esperado se mostrou após a edição de mais de sessenta fotografias. Adicionei posteriormente o preto e branco e então revelou-se mais que homem, mas nostalgia. A meu ver a praça tornou-se palco para que fosse ali, por ele, exumada, sob o auspício de nossos mártires, uma saudade, um momento, por razão que sequer foto revela, mas que me trás porém a oportunidade de ponderar sobre (e essa não é a natureza das artes, afinal?). Sobre então penso n'algo derivado dos dias gloriosos daquele lugar que percorria só, mas sôfrego, e isso vi estampado em seu corpo na forma do branco que vestia, impecável, que sequer remeteu-me a um possível oficio como o de médico, mas sim aos tempos de bailes e bossas que abrilhantavam a praça e seus arredores, inspirando os transeuntes a vestirem-se com a classe que a noite fortalezense lhes exigia. A dúvida, no fim, ainda me restou. O que derivou daqueles dias? Sorrisos? Amores? Amigos? Apenas a tristeza era iminente pois logo se seguiu ao olhar minucioso a solidão que aparentemente o acometeu, traduzida pelos passos que o arrastariam, talvez, através de mais um dia como os que há tempos se seguiam.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Perspectiva - Nostalgia
Neste tópico interpretarei das artes uma outra paixão: como o nome do mesmo sugere,vou escrever sobre a perspectiva por detrás das lentes de diversos fotógrafos, autores das mais diversas impressões e expressões de beleza, estas eternizadas na fração de um segundo no qual se revela meu foco, o sentimento impresso e então aqui interpretado por MINHAS CONVICÇÕES. A primeira será uma fotografia minha cujo os detalhes sobre a mesma saberão no texto logo abaixo.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
A Vida na Arte Refletida - Soneto à tua Volúpia
O próximo texto foi inspirado por Vinícius de Moraes, quem além de diplomata, poeta, compositor, foi um amante, e seus textos que isso revelam inspiram até os mais amadores dos poetas, como eu.
Soneto à tua Volúpia
Trazes no corpo feições de flor,
destas dissimula porém a delicadeza, cínica,
pois brota em ti, ao soprar teu último [suspiro de pudor,
vida a ecoar como teu primeiro gemido de [agonia
Um reflexo da volúpia que reprimia,
do peito que antes pouco palpitava, frio, [sem cor
do seio que relutava, antes rijo só de pavor
da boca que agora só não cala as palavras [sujas que, trêmula,balbucia
E assim sacia tua fome de fazer-se iguaria
numa boca que te arranca a vergonha à [mordidas
numa língua que te mata a sede na saliva
Num corpo que contigo dança, sem muita [graça, uma valsa lasciva,
esta que arrebata com gozo sentimento e [corpo
daqueles que amam sem recato, sem aprazia.
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