quinta-feira, 28 de julho de 2011

D'onde Sentimentos Vertem - Arthur Rimbaud

          A uns dias atrás, lembrei-me de perguntar a um amigo sobre Hemingway, parisiense de quem ouvira falar em um filme (do qual ainda pretendo falar em outro tópico) e por quem muito me interessei. Queria lê-lo, ponderar sobre a veracidade daquela personalidade literária a mim apresentada em breves minutos de ficção, mas inesperadamente fui apresentado a outro pedaço da França (iluminada França), um jovem cujo os poucos anos de vida estigmatizaram-no, na época, como um mero despudorado, e hoje, acima disso, como um visionário, e é inspirado por ele que abro este novo tópico do blog: D'onde sentimentos vertem, afinal, de Arthur Rimbaud, um profundo sentimentalismo vertia violentamente.




      Aparentemente sua infância conturbada contribuiria para a formação do seu caráter (ou desconstruiria este, é tudo uma questão de perspectiva) que ainda menino Rimbaud viria a apresentar em sua obra pois, como poeta, dizem, ele vivia e logo era sua poesia, mas deixemos dados biográficos profundos de lado. Então, como pródigio, fora levado por seu futuro amante em um Bateau Ivre a Paris, onde as noites regadas a absinto, haxixe e paixão fariam aflorar nele a volúpia, a violência, cada pecado que estamparia inúmeras páginas de tinta e emoção que inclusive fariam-no renegar à métrica poética e trariam a França deveras parnasiana o verso livre, que melhor ilustraria sua vida e a verdade por trás desta. Em síntese, foi com isto que me deparei enquanto devorava cada página de seu "Temporada no Inferno", uma espiral de emoções que cativaram-me, tentaram-me a enxergar aquele jovem perversor caminhando sobre a Europa, inócuo aos transeuntes, mas não aos valores destes, da época, subvertidos por ele através de sua poesia simbolista, realista e audaz pela qual me senti desafiado a ler mais e com certeza o farei.

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