quinta-feira, 11 de novembro de 2010

À Flor da Pele - Saudade

    
          Enquanto me vestia de frente para o espelho, vi a manga da camisa marcada à sol em meu braço e lembrei-me de um fim de semana incrível, memorável pela simplicidade de tudo que o envolveu, inclusive do devaneio que inspirou esta crônica.

     Eram dias regados à muito vinho e música, esta de dedos ávidos e vozes roucas ecoava através da praia onde ardia uma fogueira que, mesmo sôfrega, queimava, impondo-se a Hélio que lançava seus fortes ventos contra terra e mar. Sim, o mar, augusto mar, tomava para si o horizonte com imponência assim como há sempre de o fazer. E a noite que a tudo isso envolvia?! Desta lembro bem, lua, estrelas mil, juntas tingiam-na de luz, brilho radiante apoderou-se da mesma, mas, por um instante, este ofuscou-se. Olhei para um lado, olhei para o outro e vi as luzes das cidades que por um instante fizeram-me refletir. Fizeram-me lembrar dos dias que rotineiramente se seguiram até aquele momento, dias de cobiça, de pressa, de fúria, de desespero, de profunda inquietação, dias que cego vivi e assim continuarei vivendo-os até o momento em que deva novamente abrir meus ollhos, ansiando ver o mesmo resplandecente céu e luar, rodiado pelos amigos, rindo todos à toa, à margem de algo tão artificial quanto aquelas luzes que, por um instante, ousaram calar meu eufórico riso.

Um comentário:

Unknown disse...

Adorei... sempre penso nisso! hauhauh
Gostei também do horário do post.. destino?