Disposto a escrever algo novo para o blog e, pensando sobre o que poderia ser escrito aqui, veio-me à mente a lembrança de um filme que vi e que profundamente me tocara há alguns dias, aliás, influenciara-me com igual profundidade:
Quem reconhece este rosto sabe a qual filme me refiro e é com minhas impressões sobre este que abro esse novo tópico do blog: Sétima Arte em Foco
Obs: Todos os posts deste tópico conterão SPOILERS e informações originadas APENAS de minhas experiências e interpretações pessoais.
Toda uma vida, uma desilusão, originou-se então um sonho, Alasca, do sonho a um novo ideal, este revelado num insight ante a face da morte a preço, claro, de uma vida. Teria valido à pena? Lágrimas, um sorriso e um último suspiro de vida sussurraram-me “sim”. Ele, Christopher, jovem que inspirou o filme, decide diante de sua sede por vida e ojeriza frente a sociedade abandonar todo o contato com a raça humana com a finalidade de viver “na natureza selvagem” (tradução para o título original do filme, Into The Wild), então ele inicia, abdicando de família e identidade, sua jornada rumo ao Alasca, onde desejava isolar-se de qualquer contato social e de suas mentiras, máscaras e mazelas morais. Ele atravessa então os Estados Unidos, chega ao México, retorna ao EUA e finda sua aventura e vida no Alasca, em seu “ônibus mágico”, “traído” pela própria natureza que sempre exaltara, mas o que viu durante esta empreitada? Viu, na minha opinião, que havia se precipitado. Viu que, covardemente, impeliu-se rumo a natureza, para longe de seus medos e de si inclusive, mas acabou por aventurar-se rumo a isto e além, rumo ao âmago de seu próprio ser, mas ser social? Não, ser humano. No decorrer de sua aventura vi isso evidenciado quando ele, retardado por sua ideologia cega, tarda, mas acaba por abdicar de seu alter ego, Alexander Supertramp, cuja criação marca o inicio de seu sonho e a morte marca o fim do mesmo, mas também de sua própria carne, carne de Christopher que antes disso renasce, ainda distante da sociedade, mas próximo da humanidade como nenhum outro por conta das experiências que obtivera quando tocado por pais e irmãos que jamais poderia ter, mulheres que jamais poderia amar, histórias que jamais viveria e lembranças que jamais reviveria, mas que não lhe trouxeram qualquer arrependimento, pois talvez tal revelação nunca houvesse concretizado-se caso não houvesse ele percorrido cada um dos tantos quilômetros que percorrera ou se não houvesse proferido nenhuma das apaixonadas palavras que dissera ou lêra para si e para próximos a quem cativara, enfim, fatos somaram-se durante os poucos mais de 100 dias em que aventurou-se, preparando-o e o confortando em seu último instante, ante não a face da morte como citara, mas da vida que diante de si, há tempos, vinha se relevando até aquele instante em que, de verdade e paz, o ofuscara.

3 comentários:
massa!
Vale lembrar que antes de virar filme essa história virou um livro.
E que fique registrado também que a trilha sonora é sensacional. Eddie Vedder é foda!
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