Paralelas
Belchior
Dentro do carro, sobre o trevo a cem por hora, oh! Meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho e fico rico
Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio vejo a luz do seu olhar
Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar
De voltar, de voltar
No corcovado quem abre os braços sou eu
Copacabana esta semana o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel e o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça e grito
Grito quando o carro passa: teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu
No corcovado quem abre os braços sou eu
Copacabana esta semana o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel e o que é paixão
De início, foi impossível para mim não notar o emprego preciso de PARALELAS como título desta música visto que esta palavra sintetiza com exatidão o que Belchior canta: uma estória sobre amores que passaram a viver alheios um ao outro, movidos por um orgulho infantil que os dividiu mesmo contra a vontade íntima dos mesmos, que agora sofrem com as lembranças dos instantes em que estiveram juntos, revivendo-as em seu cotidiano de tão viva forma que o Cristo Redentor, por exemplo, ganha nova face e o mar carrega agora novo nome (seja de um ou d'outro) ou ansiando inutilmente por esquecê-las durante o mesmo quando, diz a música, arrisca um a vida de todo sentido vazia "sobre um trevo a cem por hora" enquanto o outro busca cegar-se diante do que sente enquanto imerge ávido no trabalho, tudo em vão. No fim, para uma estória como esta só me resta frustração afinal não se sabe ao final da mesma o que acontece com ambos, mas o tom sofrido da canção me faz lembrar o quão "perversa é a juventude de um coração", fazendo-me imaginar apenas que só lhes restou viver por muito "o que é cruel, o que é paixão!"
6 comentários:
Incrível como você escreve bem e tem um pensamento fascinante.
sim lindo post pedro, aí me vem a cabeça o significado de paralelas, quando dois segmentos de retas seguem lado a lado sem se cruzarem ,nocaso aqui são duas vidas que mesmo tendo algum sentimento, no caso o amor, nao conseguem se entender, se cruzaram e nos sempre achamos que somos de fato importante para o outro" no corcovado quem abre os braços sou eu, copacabana essa semana o mar sou eu e as borboletas que eu fui pousam demais por entre as flores doa asflato em que tu vais...' sera mesmo que "teu infinito sou eu?", aí um dia nós descobrimos que não somos tão importantes para a outra pessoas como julgávos ser..."como é perversa a juventude, a inexperiencia do meu coração que só entende o que eh cruel, o que paixaão" esse eh o meu ponto de vista ao ouvir essa belissima canção
affe, ke triste.
horrivel.
chato.
uma merda.
affe!
Comentário do Germano desnecessário, rs; apesar de muito engraçado.
Escrevia lindamente Pedro, deveria voltar a escrever, ei, já disse isso! ;x
Essa música não é triste, como não deveria ser nenhuma lembrança do que foi bom!
Dois amores que seguiram a vida separados...um por medo de sair do conforto e outra por ser jovem demais para entender...mas que nos sonhos continuam a se encontrar até hoje.
Não é para qualquer um entender as letras do Belchior. RS
Viva Belchior
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